Tradução:Relato de Contos por Rebbe Nachman de Breslov/9

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Conto 9: O Inteligente e o Ingênuo[editar]

Tradução:Relato de Contos por Rebbe Nachman/9

[Introdução][editar]

Certa vez haviam dois chefes de família em uma cidade. E eles possuíam uma grande fortuna. E possuíam grandes residências. Os dois chefes de familia tinham dois filhos. Ou seja, cada um tinha um filho. As duas crianças estudavam ambas em uma escola. E um deles era inteligente e um era ingênuo (não que ele fosse tolo, apenas que a sua forma de pensar era simples sem sabedorias). E as duas crianças se gostavam muito. Apesar de um ser inteligente e o outro ser ingênuo e pensar de forma simples, mesmo assim eles se gostavam muito.

Algum tempo depois, ambos os chefes de família começaram a declinar e perder suas fortunas. E declinaram para baixo, para baixo. Até que eles perderam tudo e se tornaram pobres pessoas e lhes restou apenas suas residências. as crianças começaram a crescer. Então os chefes de família disseram para as crianças: "Nós não temos meios de vos sustentar, nós não podemos vos manter. Façam o que puderem".

[O homem simples e o homem inteligente aprendem negócios][editar]

Então o ingênuo foi e estudou para ser sapateiro. O inteligente era dono de raciocínio (ou seja , era uma pessoa inteligente e entendida) e não queria pegar para si um trabalho tão simples. E pensou consigo mesmo que partiria para o mundo e veria o que fazer. E ele então foi ao mercado. E ele viu uma grande carruagem com quatro cavalos celados que ia passando. Então ele chamou os comerciantes: "De onde vocês vêm?" E eles lhe responderam: "De Varsóvia". "Para onde vocês vão?" "Para Varsóvia". E ele lhes perguntou: "Talvez vocês precisem de um servente?" Os mercadores viram que ele era um jovem inteligente e ativo e ele lhes agradou e eles então o levaram. Ele viajou com eles e os serviu no caminho muito bem.

Assim que ele chegou em Varsóvia, pelo fato de ele ser dono de raciocínio, ele pensou consigo mesmo: "Já que estou em Varsóvia, para que tenho que ficar com esses mercadores?" Talvez aqui tenha um lugar melhor do que com eles. Vou procurar e então verei". E ele foi até o mercado. E ele Começou a questionar e perguntar sobre as pessoas que o tinham trazido e se havia lá um lugar melhor do que o deles. E lhe responderam que essas pessoas (que o trouxeram para lá) eram pessoas honestas e que era bom ficar com eles, apenas que era muito pesado ficar com eles pelo fato de o negócio deles ser feito a longas distâncias.

Nesse ínterim ele foi e viu serventes de lojas, como que eles iam para o mercado, como eles íam conforme o jeito deles, com a sua graça, com os seus chapéus, seus sapatos pontudos e outras graças que eles possuíam em sua forma de caminhar e como que eles vestiam. E ele era uma pessoa de raciocínio e um jovem inteligente e isso muito o agradou pois era algo bonito e por ser assim também em sua casa. Ele foi então até as pessoas que o trouxeram e lhes agradeceu e lhes disse que não lhe era bom ficar com eles. E por isso que eles o haviam trazido até lá, ele os tinha servido no caminho.

E ele foi e se colocou diante de um chefe de família. E é comum entre os serventes que no começo eles tem que ser sub-serventes e devem fazer trabalhos pesados e receber um baixo salário. Depois eles se tornam um servente superior. E o chefe de família fazia com ele trabalhos pesados e costumava enviá-lo à senhores para carregar mercadorias assim como era o costume dos serventes que carregam mercadorias sobre os braços. E o trabalho era muito duro para ele. Às vezes ele tinha que ir com a mercadoria em uma grande subida e o trabalho era muito duro para ele. E ele pensou consigo, pois era um filósofo e dono de inteligência: "Para que me serve esse trabalho?" O principal é o objetivo, que eu possa casar e eu possa me sustentar. Eu ainda não preciso olhar para isso. Para isso eu terei tempo depois. Agora é melhor que eu corra o mundo e que eu vá conhecer os países.

Então ele foi ao mercado e viu mercadores viajando em uma grande carruagem. E ele lhes perguntou: "Para onde vocês estão viajando?" E eles responderam: "Para Lagorne[1]". E ele lhes perguntou: "Vocês podem me levar para lá?" E eles responderam: Sim". E eles o levaram para lá. De lá ele partiu para a Itália. Da Itália ele partiu adiante para a Espanha.

Nesse tempo se passaram muitos anos. E ele se tornou mais inteligente pois ele estivera em vários países. E ele pensou consigo: "Agora eu já devo olhar para o objetivo", e ele então começou a pensar, segundo a sua filosofia (ou seja, com sua inteligência) o que fazer. E lhe foi de agrado que ele fosse estudar como trabalhar com o ouro, pois era um grande trabalho e era belo trabalho e requeria uma grande inteligência. E era um trabalho rico, e por ele ser uma pessoa inteligente e um filósofo ele não precisou estudar o trabalho vários anos, e apenas em um quarto de ano ele recebeu o ofício e se tornou um grande mestre do ofício. E ele sabia o trabalho melhor do que aquele que o ensinara.

Mais tarde ele pensou consigo: "Apesar de eu ter um tal trabalho em minhas mãos, mesmo assim não quero me satisfazer com isso, pois hoje isso é importante mas talvez em outra época outra coisa seja importante". E ele foi e se colocou diante de um artesão de jóias. E devido à sua inteligência ele também recebeu o ofício em um curto período, em um quarto de ano.

Depois ele pensou consigo, com sua filosofia: "Apesar de eu ter em minhas mãos dois ofícios, quem sabe talvez ambas se tornem pouco importantes. Portanto seria bom para mim que eu estudasse um ofício tal que permanecesse sempre importante". E ele pensou com sua inteligência e com sua filosofia que ele deveria estudar para ser doutor pois isso era algo que se precisava sempre e que era sempre importante. E o procedimento é de que quem quer estudar para ser doutor deve antes estudar Latim, a língua e a escrita. E deve estudar filosofia. E ele por sua inteligência (ou seja, entendimento) também estudou isso em um curto período. Em um quarto de ano. E ele se tornou um grande doutor e filósofo e um sábio em todas as sabedorias.

[O homem inteligente aflito, o homem simples alegre]][editar]

Mais tarde o mundo começou a se tornar para ele como nada (ou seja, todo mundo era para ele nada), ou seja, ele achava que ninguém tinha inteligência, pois devido à sua inteligência e por ser ele um tão grande mestre em ofícios e um tão grande sábio e doutor então cada um no mundo era para ele como nada (assim como nada). E ele pensou consigo que ele já iria fazer para si um objetivo e iria se casar com uma moça. E ele pensou em sua mente: "Se eu casar aqui quem irá saber o que se passou comigo? Melhor eu retornar para casa para que eles vejam o que se passou comigo. Que eu parti como um pequeno garoto e agora eu cheguei à tamanha grandeza". E ele então foi e retornou à sua casa. E ele teve grandes sofrimentos no caminho pois devido à sua inteligência ele não tinha ninguém com quem conversar e não tinha nenhuma acomodação assim como ele queria.

E ele tinha sempre grandes sofrimentos. Deixemos de lado, por um tempo, a estória do inteligente e vamos começar a contar a estória do ingênuo. O ingênuo estudou o ofício de sapateiro. E por ele ser ingênuo ele precisou estudar muito ofício até que ele conseguiu. E ele não sabia o ofício por completo. E ele casou e ele a sustentou com o trabalho. E por ele ser ingênuo e não saber o ofício como era preciso, por causa disso, o seu sustento era muito difícil e muito limitado. E ele não tinha tempo nem mesmo para comer, pois ele precisava sempre trabalhar, pois ele não sabia o ofício por completo. Apenas durante o trabalho, quando ele fazia os furos e colocava a linha grossa de costura, só então é que ele dava uma mordida em um pedaço de pão e comia.

E o seu hábito era que ele estava sempre feliz. E estava sempre alegre. E ele tinha todas as comidas, e todas as bebidas e todas as vestimentas. Ele costumava dizer para a esposa: "Minha esposa, dê-me comida" . E ela lhe dava um pedaço de pão e ele comia. Mais tarde ele dizia: "Dê-me a sopa com legumes". E ela lhe cortava outro pedaço de pão e ele comia. Mais tarde ele dizia: "Dê-me a sopa com legumes". E ela lhe cortava outro pedaço de pão e ele comia. E ele ficava muito agradecido e dizia: "Como é boa e como é deliciosa essa sopa!" E assim ele lhe pedia para lhe dar carne. E ela novamente lhe dava pão. E ele comia e ele também agradecia muito e dizia: "Como é deliciosa essa carne!" E assim outros pratos deliciosos ele os pedia a todos para ela lhe dar e para cada prato que ele a pediu ela lhe dava um pedaço de pão. E ele tinha muito prazer com isso e muito elogiava a comida, como ela era boa, exatamente como se ele realmente tivesse comido de verdade, pois ele costumava realmente sentir no pão que ele comia o gosto de todas as comidas que ele queria. Devido à sua grande ingenuidade temimuth [a qualidade de ser tam ; simplicidade; salubridade; ingenuidade; inocência] e à sua alegria ele sentia o gosto no pão exatamente como se ele estivesse comendo todas essas comidas.

E assim ele costumava dizer: "Minha esposa, dê-me uma cerveja para beber". E ela lhe dava água. E ele costumava elogiar: "Como é boa essa cerveja!" Depois disso ele dizia: "Dê-me mel". E ela lhe dava água e ele também elogiava assim: "Como é bom esse mel!" "Dê-me vinho, ou outras bebidas". E ela lhe dava sempre água. E ele tinha prazer e elogiava a bebida exatamente como se ele a estivesse bebendo.

E assim nas vestimentas. Também era assim. Ele sua esposa tinham ambos em conjunto um casaco e quando ele precisava do casaco, ou seja, para ir ao mercado, ele costumava dizer: "Minha esposa, dê- me o casaco". E ela lhe dava. E quando ele precisava de um terno para ir entre as pessoas ele dizia: "Minha esposa, dê-me o terno". E ela lhe dava o casaco. E ele costumava ter um grande prazer e costumava elogiar: "Como é bonito esse terno!" Quando ele precisava de um manto para ir à Sinagoga ele a chamava e dizia: "Minha esposa, dê-me o manto", e ela lhe dava o casaco. E ele costumava agradecer e dizia: "Como é bonito e como é agradável esse manto!" E assim, quando ele precisava colocar uma túnica ela também lhe dava o casaco. E ele costumava também de agradecer e tinha prazer: "Como é agradavel e como é bonita essa túnica". E assim em todas as coisas.

E ele era repleto de felicidade e alegria e estava sempre contente. Quando ele já terminava um sapato, certamente sapato não ficava completo (tinha três-pontas) pois ele não sabia o oficio por completo, ele costumava pegar o sapato na mão e o elogiava muito. E ele tinha um grande prazer com isso. ele costumava dizer: "Minha esposa, como é bonito e como é bom esse sapatinho! Como é doce esse sapatinho, como mel, como é doce como o açúcar esse pequeno sapato!" E ela respondia: "Já que é assim, por que os outros sapateiros cobram três "golden" por um par de sapatos e você só cobra meio "toler" (ou seja, um "golden" e meio)? E ele respondeu: "O que tenho eu com isso? Esse é trabalho deles e esse é o meu trabalho! E mais, por que nós temos que falar de outras pessoas? Vamos calcular quanto eu lucro com esse sapato de mão em mão: o couro me custa tanto a cola e a linha me custam tanto, e assim outras coisas me custam tanto. E agora, eu lucro de mão em mão dez "groshen" e o que me importa um lucro desse de mão em mão?"

E ele estava sempre repleto de felicidade e alegria. E para o mundo ele era um motivo de gozação. E eles conseguiam aqui o que eles queriam, pois eles tinham aqui com quem mecher assim como ele queriam. Pois ele lhes parecia como um louco. As pessoas costumavam vir e começavam propositadamente a discutir com ele, para que eles tivessem algo com que mecher. E o ingênuo costhes dizer: "Apenas sem palhaçada". E assim que eles lhe respondiam, "sem palhaçada", ele lhes escutava e começava a conversar com eles. Pois depois ele não queria se aprofundar em sabedorias, pois talvez isso em si fosse palhaçada. Pois ele era ingênuo. E quando ele percebia que eles intencionavam fazer palhaçada ele costumava dizer: "O que vai ser se você for mais inteligente do que eu, aí mesmo que você vai ser um tolo, pois o que eu valho? E se você for então mais inteligente do que eu você simplesmente será um tolo". (Assim era sempre o costume do ingênuo. Agora vamos novamente contar sobre o inteligente)

[O homem inteligente chega de volta à cidade][editar]

Nesse ínterim houve um alarido de que o inteligente estava vindo. E que vinha com muita grandeza e com grande sabedoria. E ingênuo também correu para encontrá-lo com grande alegria. E disse para a sua esposa: "Dê-me rapidamente a túnica. Vou encontrar meu querido amigo, deixe-me ir vê-lo!" ela lhe deu o casaco. E ele correu em seu encontro e lhe deu saudações com alegria e grande afeto, (e lhe disse): "Meu querido irmão, como vais? Abençoado Seja D'-s que te Trouxe e que eu tive o mérito de te ver!" E o inteligente o observou. Para ele todo o mundo era nada (como mencionado anteriormente, que todas as pessoas do mundo eram para ele como nada, pois ele era para si mais inteligente do que todo o mundo), muito mais uma pessoa assim que parecia um louco. Porém, apesar disso, devido à amizade de que eles tinham e que tanto se gostavam ele se aproximou dele e partiu com ele para a cidade.

E os dois chefes de família, os pais das duas crianças (ou seja, do inteligente e do ingênuo) também tinham falecido, na época em que o inteligente viajara pelos países e deixaram suas casas. O ingênuo, que estava em seu lugar, entrou na casa do seu pai e a herdou. O inteligente, que estava em países estranhos, não teve ninguém para receber a casa. E a casa do inteligente se destruiu e se perdeu e não sobrou nada dela. E o inteligente não tinha nenhuma casa para entrar na hora em que ele chegou. E ele então foi até uma hospedaria, e lá ele teve muitos sofrimentos pois não era uma hospedaria assim como ele queria.

E o ingênuo já encontrara agora uma nova atividade costumava correr sempre até o inteligente com afeição e com alegria. E ele viu que o inteligente sofria com a hospedaria. Então o ingênuo falou para o inteligente: "Meu irmão. Venha comigo, até minha casa. Você ficará em minha casa e eu tomarei com um punhado tudo o que eu tenho e você vai ter toda a minha casa". E isso agradou o inteligente. E o inteligente foi até a sua casa. E ficou com ele.

E o inteligente estava sempre repleto de sofrimentos. Pois ele tinha a fama de que era um grande sábio um grande mestre em ofícios e um grande médico. Veio um ministro e ordenou-lhe que ele fizesse para ele um anel de ouro. E ele lhe fez um anel muito bonito. E gravou nele desenhos de muito belas formas e também gravou nele uma árvore que era uma grande novidade. Veio então o ministro e o anel não lhe agradou em nada. E ele teve grandes sofrimentos. Pois ele sabia para si que esse anel com a árvore na Espanha seria de um grande valor, pois lá ele seria muito importante e seria lá uma grande novidade, e aqui ele não agradou em nada. E assim certa vez veio um grande ministro e trouxe um diamante muito valioso que lhe trouxeram de terras distantes e ele trouxe com ele mais um diamante com uma pintura e ele lhe ordenou que ele gravasse assim como essa pintura era, que ele gravasse assim mesmo no diamante que ele lhe trouxera (que era de terras distantes). E ele gravou exatamente como na pintura. Só que ele falhou em um detalhe que não havia nenhuma pessoa que pudesse comprender sobre isso a não ser ele mesmo. E veio o ministro e pegou o diamante e muito lhe agradou. E o inteligente teve um grande sofrimento pela falha que tinha cometido. Ele pensou consigo mesmo: "Eu sou tão inteligente e agora cometi uma falha!"

E assim em assuntos médicos ele também tinha sofrimentos. Quando ele vinha até um doente e ele lhe dava remédios que ele sabia com paciente vivesse era certo que ele se curaria através dos remédios pois eram remédios muito bons. Depois o doente falecia e o mundo dizia que ele falecera através dele. E ele tinha muitos sofrimentos com isso. E assim, certa vez ele deu remédios para um doente e o doente ficou bom de saúde e o mundo dizia que fora um acaso (ou seja, que ele ficara bom mas não através dele). E ele tinha também disso muitos sofrimentos. E ele estava sempre cheio de sofrimentos.

E assim, quando ele precisava de uma roupa ele chamava o alfaiate e se esforçava com ele até ensiná-lo a fazer a roupa da maneira que ele queria. Assim como ele sabia. E o alfaiate encontrou e lhe fez a roupa da maneira que ele queria, apenas em uma lapela o alfaiate cometeu uma falha e não a fez tão bem, então ele teve muito sofrimento com isso pois ele sabia consigo mesmo, "apesar de que aqui ninguém compreende sobre isso, se eu estivesse na Espanha com essa lapela iriam rir de mim e eu iria parecer ridículo". E assim ele estava sempre cheio de sofrimentos.

E o ingênuo costumava sempre correr e ir até o inteligente com felicidade e alegria. E ele sempre o encontrava com pesares e cheio de sofrimentos. E ele lhe perguntou: "Uma pessoa sábia e com tanta riqueza como você por que tem sempre tanto sofrimento? Por que eu estou sempre feliz"? E isso era visto pelo inteligente como uma zombaria e ele lhe parecia como um louco. Então o ingênuo lhe falou: "Até mesmo pessoas simples que zombam de mim são tolos, pois se eles já são mais inteligentes do que eu, então eles são realmente tolos. Muito mais um sábio como você é. O que importa se você é mais inteligente do que eu?" Então o ingênuo o chamou e disse para o inteligente: "Que o. Todo Poderoso Queira que você chegue no meu nível (ou seja que você se torne ingênuo)". E o inteligente respondeu: "Isso é possível, que eu chegue até o teu nível. Se D'-s me Tirar o raciocínio, D'-s nos Livre, ou de eu, D'-s nos Livre, ficar doente, pode ser então que eu vire um louco, pois o que você é senão um louco. Porém que você chegue no meu nível isso não é possível de jeito nenhum, que você seja um sábio como eu". E o ingênuo respondeu: "Para D'-s Abençoado Seja Ele tudo é possivel, e pode ocorrer em um piscar de olhos (assim como um olho pisca) que eu chegue até a tua sabedoria". E o inteligente riu muito dele.

[O rei envia para o homem inteligente e o homem simples][editar]

E esses dois filhos, o mundo costumava chamá-los como o inteligente e o ingênuo. Esse eles chamavam de "inteligente" e esse eles chamavam de "ingênuo" Apesar de se encontrarem muitos inteligentes e ingênuos no mundo, aqui isso era muito visível, pois eles ambos eram da mesma cidade e estudaram na mesma escola e esse se tornou um sábio muito grande e esse se tornou um ingênuo muito grande (por essa razão eles receberam os apelidos, o inteligente e o ingênuo). E no registro real registram-se cada pessoa com todos os seus nomes de família. E os registraram, esse com o apelido de "inteligente" e esse com o apelido de "ingênuo" - 'Khakham' e 'Tam.

Certa vez o rei veio até o registro real e então encontrou os dois, como eles estavam registrados, esse com o apelido de "inteligente" e esse com o apelido de "ingênuo". E isso foi para o rei uma surpresa como os dois tinham esses apelidos, inteligente e ingênuo. E o rei muito quiz vê-los. E o rei pensou consigo mesmo: "Se eu repentinamente mandar para eles para que eles venham até mim, eles ficarão muito amedrontados e o inteligente não vai saber o que responder, e o ingênuo pode ser que fique maluco por causa do medo". Então o rei resolveu que iria enviar um inteligente para o inteligente e um ingênuo para o ingênuo. Porém como conseguir um ingênuo cidade do rei? Pois na cidade do rei (ou seja, na cidade onde o rei se encontra) a maioria é inteligente. Somente esse que é o indicado aos assuntos do tesouro, esse era justamente um ingênuo. Pois um inteligente ninguém o quer colocar como autoridade sobre o tesouro, pois talvez com a sua inteligência e sua astúcia, ele possa desperdiçar o tesouro, por isso se coloca como autoridade do tesouro justamente um ingênuo.

Então o rei chamou um inteligente e esse ingênuo (que era o responsável sobre o tesouro) e os enviou para os dois (ou seja, para o inteligente e para o ingênuo) e ele lhes deu cartas para cada um separadamente. E ele também 1hes deu cartas para o governador do governo onde os dois, ou seja o inteligente e o ingênuo, estavam sob seu controle. E o rei ordenou nas cartas que o governador lhes enviasse cartas em seu nome, para o inteligente e para o ingênuo, para que eles não se amedrontassem. e que ele lhes escrevesse que esse assunto não era urgente e que o rei não lhes estava impondo para que eles viessem, somente que dependia da escolha deles, se eles quizessem então que eles viessem. Apenas que o rei queria vê-los.

Então os enviados viajaram, o inteligente e o ingênuo. E chegaram até o governador e lhe deram as cartas. E o governador perguntou sobre os dois filhos e eles lhe disseram que o inteligente era um grande sábio e um grande rico e que o ingênuo era um grande ingênuo e que ele tinha todo os tipos de roupas através do casaco, conforme mencionado. Então o governador pensou consigo que certamente não era bonito que o trouxessem até o rei vestido com um casaco. E ele lhe fez roupas adequadas e as colocou na carruagem do ingênuo e ele lhes enviou as cartas conforme mencionadas. E os enviados viajaram. E eles chegaram até eles, e lhes deram as cartas.

O inteligente deu para o inteligente e o ingênuo para o ingênuo. E o ingênuo, assim que lhe deram a carta, disse para o enviado (que também era um ingênuo, conforme mencionado) que lhe trouxera a carta: "Eu não sei o que está na carta. Leia-a para mim". E ele lhe respondeu: "Eu te direi de cor [Iíd. oysveynik < Alem. auswendig; Heb. be`al peh]o que está escrito nela. O rei quer que você vá até ele". E ele logo perguntou: "Somente sem palhaçadas" Ele lhe respondeu que era certamente verdade, sem zombarias. E ele imediatamente se encheu de alegria e correu e disse para a sua mulher: "Minha esposa, o rei me chamou!" E ela lhe perguntou: "O que é isso? Para que ele te chamou?" E ele não teve nenhum tempo para lhe dar alguma resposta. E ele logo se apressou, com alegria e se foi e sentou-se na carruagem para viajar com o enviado. Nesse ínterim ele viu as roupas (que o governador tinha feito para o seu uso e tinha colocado em sua carruagem, conforme mencionado ) e ele então ficou mais feliz ainda. Ele já tinha roupas. E ficou muito contente.

[O rei nomeia o homem simples como governador, ministro]][editar]

Nesse ínterim foram enviadas ao rei informações sobre o governador, que ele cometia falsidades. Então o rei o demitiu (ou seja, o pôs de lado). Então o rei pensou consigo mesmo: "Seria bom que o governador fosse uma pessoa ordinária, ou seja um ingênuo. Pois um ingênuo iria dirigir o país de forma verdadeira e correta. Pois ele não tem nenhuma sabedoria e nenhum truque" Então agradou ao rei de colocar o ingênuo (ou seja, o ingênuo que era amigo do inteligente à quem o rei tinha chamado) como governador. Então o rei enviou uma proclamação real de que o ingênuo à quem ele tinha chamado se tornasse governador, e que o ingênuo deveria viajar até a cidade do governo. E que se posicionassem nos portões da cidade para que logo que o ingênuo chegasse que o retessem e que lhe dessem a honra de ser o governador. E assim o fizeram. E se posicionaram nos portões e logo que ele passou por lá o reteram e lhe disseram que ele se tornara governador. E ele perguntou: "Somente sem palhaçadas". E lhe responderam: "Evidentemente, sem nenhuma zombaria!" E o ingênuo se tornou logo governador com força e autoridade.

E agora que sua sorte se elevou, e a sorte instrui (ou seja, a sorte torna a pessoa inteligente) ele já então conseguira um pouco de compreensão (ou seja, entendimento). Entretanto ele não utilizou sua sabedoria para nada, apenas se dirigiu com sua ingenuidade, assim como antes. E ele dirigiu o país com ingenuidade e de forma verdadeira. E com correção. E ele não cometeu nenhuma falsidade com ninguém e não cometeu nenhuma injustiça à ninguém. E para dirigir o país não se precisa de uma grande inteligência e de sabedorias, apenas correção e ingenuidade. Quando vinham duas pessoas diante dele para serem julgadas ele dizia: "Você está correto e você está errado", de acordo com a sua ingenuidade e sua verdade sem nenhuma falsidade e sem trapaças. E assim ele dirigia tudo com verdade.

E o país muito o estimava. E ele tinha conselheiros devotos que o estimavam de verdade. E devido à afeição um deles lhe deu um conselho: "Como você certamente deve ser chamado para ir até o rei, pois afinal ele já te chamou, e mais do que isso, o procedimento é que o governador deve ir até o rei, portanto, apesar de você ser muito honesto e de que o rei não vai encontrar em ti nenhuma falsidade na tua forma de conduzir o país, mesmo assim é comum para um rei, quando ele conversa, de ao falar desviar para um outro lado, e começar a falar de sabedorias e outras línguas. Portanto, seria bonito e seria de boa conduta que você pudesse lhe responder. Por essa razão seria correto que eu te ensinasse sabedorias e línguas". E isso agradou ao ingênuo. E ele pensou consigo mesmo: "Que me importa se eu estudar sabedorias e línguas?" Então ele estudou e aprendeu sabedorias e línguas. E logo veio à sua mente o que o seu amigo inteligente lhe tinha dito, que não era possível de forma alguma que ele chegasse à sua sabedoria. E eis que ele já chegara a sua sabedoria. (E apesar de ele já ter conseguido sabedoria, ele não fazia nenhum uso das sabedorias, apenas se conduzia com sua ingenuidade assim como antes).

Depois, o rei enviou para que o ingênuo, governador, viesse até ele. E ele então viajou até ele. E inicialmente o rei conversou com o ingênuo sobre a direção do país e o rei estava muito satisfeito com ele, pois o rei viu que ele dirigia com correção e com grande verdade sem nenhuma transgressão e sem nenhuma falsidade. Depois disso o rei começou a falar sabedorias e línguas. E o ingênuo lhe respondeu assim como precisava e isso agradou mais ainda ao rei. E o rei disse: "Eu vejo que ele é um grande sábio e mesmo assim se conduz com tamanha ingenuidade. E ele agradou muitíssimo ao rei. E o rei ficou muito muito satisfeito com ele. E o rei o nomeou para ministro de todos os ministérios e o rei ordenou que lhe dessem uma cidade especial para que ele lá se estabelecesse. E ordenou que se construíssem belas construções como lhe era adequado. E lhe deu uma carta onde o o nomeava ministro. E assim foi, lhe foram construídas muito belas construções no local onde o rei ordenara e ele recebeu a grandeza com autoridade.

[O homem inteligente nega que haja um rei][editar]

O inteligente, quando lhe chegou a carta do rei, respondeu para o inteligente que a trouxera: "Espere. Passe a noite aqui e depois conversaremos e resolveremos". À noite ele lhe fez uma grande refeição. Durante a refeição o inteligente (o amigo do ingênuo) começou a pensar e a refletir com sua sabedoria e com sua filosofia e então respondeu e disse: "0 que isso pode significar, que um rei como esse envie para alguém tão pequeno como eu? O que eu sou para que o rei envie para mim? Afinal, um rei tão grande como esse que possui um reino tão grande e tamanha grandeza e eu tão pequeno como eu sou comparado com um rei tão grande. Como se pode entender na mente que um rei como esse possa enviar para mim? Se eu disser que foi devido à minha inteligência que ele me enviou, que sou eu perante o rei, o rei não tem sábios? E o rei mesmo é certamente um grande sábio! Então o que é isso que o rei enviou para mim?" E ele ficou muito muito atônito com isso. E enquanto estava atônito ele se dirigiu para ele (para o outro inteligente, o enviado, que trouxera a carta): "Você sabe o que eu vou te dizer? Minha opinião é que certamente não há nenhum rei no mundo e todo o mundo está enganado. Eles pensam que existe um rei. Ao contrário, entenda, como é possivel isso, que todo o mundo se entregue nas mãos de uma pessoa para que ele seja o rei? Certamente não há nenhum rei em todo o mundo".

E o inteligente, o enviado, respondeu: "Eu te trouxe uma carta do rei". E o inteligente (o amigo do ingênuo) lhe perguntou: "Você mesmo pegou a carta das mãos do rei?" E ele lhe respondeu: "Não, uma outra pessoa me deu a carta do rei" Ele lhe disse: "Viu, pelo contrário, veja agora com teus olhos que eu estou certo, que não existe nenhum rei". Perguntou-lhe novamente (o inteligente, amigo do ingênuo ao outro inteligente, o enviado): "Me diga, você é da cidade real e você cresceu lá, diga-me você alguma vez viu o rei?" E ele lhe respondeu: "Não". E ele lhe disse: "Veja então agora que eu estou certo de quertamente não existe nenhum rei, pois até você nenhuma vez viu o rei" . E o inteligente, enviado, novamente perguntou: "Já que é assim, quem é que dirige o país?" Então ele lhe respondeu (ou seja, inteligente amigo do ingênuo):"Isso eu te explicarei com clareza pois eu sou especialista nisso e você pode perguntar para mim, pois eu estive em países, eu estive na Itália e o costume é que existem setenta conselheiros e eles sobem e conduzem o país durante um tempo. E com esse ministério eles dividem todos do país, uns após os outros (ou seja, primeiro esses conselheiros, depois eles caem e outros sobem e dirigem o país e assim cada vez outros). E as suas palavras começaram a entrar nos ouvidos do outro inteligente (ou seja, o enviado) até que eles dois acreditaram que certamente não havia nenhum rei no mundo.

E novamente o inteligente (o amigo do ingênuo) lhe disse: "Espere até amanhã e eu te mostrarei claramente que certamente não há nenhum rei". E o inteligente madrugou de manhã e acordou o outro inteligente o enviado e lhe disse: "Venha comigo até a rua e eu te mostrarei como todo o mundo está enganado e que não existe nenhum rei". E eles foram até o mercado. E eles viram um soldado e eles o pararam e lhe perguntaram: "Para quem você trabalha?" E ele respondeu: "Para o rei" . "Você já viu o rei em tua vida?" E ele respondeu: "Não" Então ele lhe falou (ou seja, primeiro inteligente, o amigo do ingênuo, à quem chamamos de o primeiro inteligente) e disse: "Veja, existe tamanha idiotice? Ou seja, o soldado serve o rei e ele não o conhece!" (Pois o inteligente queria com sua inteligência idiota provar que não existia nenhum rei, conforme mencionado). Depois disso eles foram novamente até um dos oficiais do exército, e eles entraram em conversação com ele até que eles lhe perguntaram: quem você serve?" E ele respondeu: "Ao rei". "Você viu o rei?" "Não". Então ele lhe disse: "Pelo contrário. Veja com teus olhos que eles todos estão enganados e que não há nenhum rei (pois o oficial também não tinha visto O rei)".

E entre eles ficou acertado que não havia nenhum rei. E o primeiro inteligente lhe disse: "Levante -se, vamos viajar pelo mundo". Eu te mostrarei, ainda mais, como todo o mundo está muito enganado, em uma grande tolice. E eles foram e viajaram pelo mundo. E onde eles chegavam eles encontravam todo o mundo em um engano (ou seja, os inteligentes através da inteligência deles entraram em tamanha tolice até que eles pensaram que todo o mundo estava enganado) e a questão do rei (ou seja, isso que estava claro para eles de que não havia nenhum rei), isso já se tornara para eles como um exemplo. E assim que eles encontravam o mundo em engano, eles tomavam o rei como exemplo. Assim como isso é verdade de que existe um rei assim é isso também. E assim eles rodearam o mundo e viajaram, até que terminou o que eles tinham. Então eles começaram a vender um cavalo, e depois o outro, até que eles venderam tudo, até que eles precisaram viajar à pé eles sempre pensavam sobre o mundo. Em todo lugar achavam que o mundo estava enganado. E eles já não tinham nenhuma importância e já não lhes davam nenhuma atenção, à pobres como eles.

[O Homem Inteligente Encontra o Homem Simples][editar]

E eles foram assim caminhando pelo mundo até que aconteceu que eles chegaram à cidade onde lá vivia o ministro acima mencionado (ou seja, o ingênuo, amigo do inteligente, conforme mencionado) e lá na cidade havia um verdadeiro sábio miraculoso ("Baal- Shem"). E esse sábio miraculoso era muito importante, pois ele havia feito coisas milagrosas de verdade e até mesmo entre os ministros ele era muito famoso e era importante para eles. E os inteligentes entraram na cidade. E eles rodearam a cidade e chegaram até a casa do sábio milagroso e eles viram que lá estavam carruagens com doentes. Quarenta a cinquenta. E o inteligente pensou que lá vivia um doutor. E ele quiz entrar em sua casa pois ele era também um grande doutor. Ele quiz entrar para conhecê-lo. Então ele perguntou: "Quem vive aqui?" Então lhe responderam: "Um sábio milagroso". E ele deu uma grande risada e disse para o outro (ou seja, para o inteligente, o enviado): "Isso é também uma mentira e um engano. E isso é uma bobagem maior do que o engano do rei. Irmão, eu vou te contar essa falsidade, como o mundo está enganado e com tanta mentira".

Nesse ínterim, eles ficaram famintos. E eles encontraram com eles três a quatro Groshen. E eles foram até a cozinha pública, e lá se encontra comida até mesmo por três ou quatro Groshen. E pediram para lhes dar comida. E lhes deram. Nesse ínterim, assim que eles estavam comendo eles conversaram e caçoaram da mentira e do engano do sábio milagroso (como o mundo estava enganado) e o dono da cozinha pública escutou suas palavras. E ele ficou muito irritado pois o sábio milagroso era lá muito importante. Então ele lhes disse: "Comam do que está na vossa frente e saiam daqui". Depois disso chegou até lá um filho do sábio milagroso e eles caçoaram ainda mais do sábio milagroso em frente ao filho. Então o dono da cozinha gritou com eles por eles estarem caçoando do sábio milagroso em frente ao seu filho. Até que o dono da cozinha bateu neles um forte tapa e os expulsou da sua casa. E eles ficaram muito irritados e eles quizeram fazer uma sentença contra esse que os bateu. Então eles pensaram consigo mesmo que eles iriam até o dono da casa onde eles deixaram os seus pacotes e iriam se aconselhar com ele como que eles iriam efetuar uma sentença contra o dono da cozinha que batera neles. Então eles foram e contaram para o dono da casa que o dono da cozinha muito lhes batera e ele lhes perguntou: "Por quê?" E eles lhe contaram que eles falaram do sábio milagroso. E o dono da casa lhes respondeu: "Certamente não é correto que se bata nas pessoas, porém vocês não fizeram nada certo. Por que vocês falaram do sábio milagroso? Pois o sábio milagroso é muito importante aqui". Então eles viram que ele também estava enganado. Então eles se foram dele e foram até um funcionário da cidade. E o funcionário era um ateu e eles lhe contaram o ocorrido, que tinham batido neles. E ele perguntou: "Por quê?" E eles disseram que falaram do sábio milagroso. E o funcionário também bateu neles fortemente e os expulsou casa.

E eles se foram dele e foram para uma autoridade superior e mesmo assim não conseguiram abrir o caso. E assim foram de um para outro. Cada vez até um superior (e não conseguiram convencer, porém não batiam neles como antes) até que eles chegaram até o ministro (que era o ingênuo, conforme mencionado) e lá na casa do ministro haviam soldados e então comunicaram ao ministro que uma pessoa precisava dele e ele ordenou que ele entrasse. E o inteligente chegou até o ministro. Assim que ele chegou o ministro logo o reconheceu, que esse era o inteligente seu amigo. E o inteligente não o reconheceu pois ele estava agora com tamanha grandeza.

E o ministro logo começou a conversar com ele, e lhe disse: "Veja até onde minha ingenuidade levou, até tamanha grandeza. E até onde tua inteligência te levou!" Então o inteligente falou e disse: "De que você é meu amigo ingênuo, sobre isso nós falaremos depois. Agora, me dê uma sentença, sobre os que me bateram". E ele lhe perguntou: "Por que te bateram?" E ele lhe respondeu: "Por causa que eu falei do sábio milagroso, que ele é um mentiroso e que ele é uma grande farsa". Então o ingênuo, ministro, lhe respondeu: "Você ainda está firme em tuas sabedorias? Veja, você disse que poderia chegar até o meu estado facilmente e que eu não poderia chegar ao teu estado. Agora veja, eu já cheguei há muito ao teu estado (pois o ingênuo já se tornara um grande sábio, conforme mencionado) e você ainda não chegou ao meu estado. E eu vejo que é mais difícil que você chegue à minha ingenuidade". E, apesar disso, por causa que o ingênuo, o ministro, o conhecia há muito tempo, que ele um dia fora grande, ele ordenou que lhe dessem roupas para que ele as vestisse e pediu-lhe que ele comesse com ele.

Na hora da refeição eles começaram a conversar. E o inteligente começou a provar para ele sua crença (idiota) de que não havia nenhum rei. E o ingênuo, ministro, gritou para ele: "O Que você está dizendo? Eu mesmo vi o rei. E o inteligente respondeu-lhe rindo: "Você mesmo sabe que foi o rei? Você o conhece? Você conhece o seu pai, o seu avô, se eles foram reis? De onde você sabe que foi o rei? Pessoas te falaram que era o rei. Eles te enganaram". E o ingênuo ficou muito irritado com isso. Sobre o fato de que ele negava o rei.

Nesse ínterim veio alguém e disse: "O diabo enviou vocês". E o ingênuo ficou muito estremecido e correu e contou à sua esposa com grande medo pois o diabo tinha enviado à ele. E ela lhe deu um conselho de que ele enviasse ao sábio milagroso. Então ele lhe enviou. Então o sábio milagroso veio e lhe deu amuletos e proteções e lhe disse que agora ele já não precisava mais temer a nada. E ele teve uma grande crença nisso.

Mais tarde eles novamente sentaram juntos, o ingênuo com o inteligente. E o inteligente lhe perguntou: "Por que você ficou apavorado?" E ele lhe respondeu: "Por causa do diabo que enviou à nós" . E o inteligente riu dele, e disse para ele: "Você acredita que existe um diabo?" E o ingênuo, o ministro, lhe perguntou: "Quem então enviou para nós?" E o inteligente respondeu: "Isso foi certamente do meu irmão. Ele quiz que eu fosse vê- lo e por isso decidiu isso e enviou à mim com essa farsa". E o ingênuo lhe perguntou: "Já que é assim, como é que ele passou por todos os guardas?" E ele respondeu: "Ele certamente os subornou e eles dizem mentindo que eles não o viram".

Nesse ínterim veio novamente alguém e novamente disse assim: "O diabo enviou à vocês". E o ingênuo já não se perturbou mais e já não teve mais nenhum medo, por causa das proteções que ele pegara do sábio milagroso. Ele então falou (ou seja, ingênuo) e disse para o inteligente: "Agora então, o que você diz?" E ele lhe respondeu: "Eu vou te contar, eu tenho um irmão que está zangado comigo e fez essa farsa para me atemorizar". E o inteligente se levantou e perguntou à esse que veio até eles: "Como aparenta esse que te enviou até nós? Que aspecto tem o seu cabelo etc...?" E assim lhe perguntou outras coisas. E ele lhe respondeu: "Assim e assim". Então o inteligente falou e disse: "Veja, essa é a descrição do meu irmão". E o ingênuo lhe disse: "Você vai com eles?" E ele respondeu: "Sim. Eu vou com eles. Apenas você me dê uma guarnição para me acompanhar, para que não me façam nenhuma tortura". E ele lhe deu uma guarnição. E os dois inteligentes foram com esse que viera até ele (ou seja, com o diabo, pois eles não queriam acreditar que esse era o diabo, conforme mencionado). E os guardas acompanhantes retornaram. E o ingênuo, o ministro, lhes perguntou: "Onde estão os inteligentes?" E eles responderam que não sabiam de nada sobre onde eles foram e esse (ou seja, o enviado do diabo) pegou os inteligentes e os colocou em uma lama cheia de lodo.

E lá estava sentado o diabo em uma cadeira sobre a lama. E a lama era grossa e pesada assim como uma cola, exatamente. E os inteligentes gritavam: "Malvados. Por que nos torturam? Existe um diabo no mundo? Vocês são malvados, vocês nos torturam por nada". (Pois os inteligentes não queriam acreditar que existia um diabo, apenas diziam que eram pessoas malvadas que os estavam por nada). E os dois inteligentes ficaram então na lama pegajosa e pensaram: "O que é isso? Isso não é senão os inconsequentes que nós uma vez brigamos com eles, e agora eles nos torturam tanto". E os inteligentes lá ficaram na lama vários anos. E lá lhe fizeram torturas selvagens com grandes sofrimentos.

[O homem inteligente admite que há um Rei na terra][editar]

Certa vez o ingênuo, o ministro, passou pela casa do sábio milagroso. E ele se recordou do seu amigo, do inteligente. E entrou até o sábio milagroso e se inclinou diante dele assim como era o costume e lhe perguntou se era possível que ele lhe mostrasse o inteligente e se ele podia retirá-lo. E o ingênuo, o ministro, disse ao sábio milagroso: "Você se lembra do inteligente para o qual o diabo enviou e o levou e desde então eu não vi?" E o sábio milagroso lhe respondeu: "Sim, eu me lembro". Então, o ingênuo, ministro, pediu para que ele lhe mostrasse o lugar onde o inteligente estava e o retirasse de lá. Então o sábio milagroso lhe disse: "Eu certamente posso te mostrar seu local e posso retirá-lo, só que apenas eu e você iremos para lá". E ambos foram. E o sábio milagroso fez o que ele sabia. E eles lá chegaram ele viu como eles estavam na lama grossa, no lodo. Assim que o inteligente viu o ingênuo, o ministro, ele lhe gritou: "Irmão. Veja como eles me batem, como esses inconsequentes me torturam tanto por nada". E o ministro lhe deu um grito: "Você ainda está firme em tuas sabedorias e não quer acreditar em nada. E você diz que eles são pessoas. Então veja agora, esse é o sábio milagroso que você o negou. Ele vai te mostrar que apenas ele pode vos retirar e ele vai lhes mostrar a verdade". Então o ingênuo, o ministro, pediu ao sábio milagroso que os retirasse de lá e lhes mostrasse que esse era o diabo e que não havia nenhuma pessoa.

Então o sábio milagroso fez o que fez. E eles permaneceram de pé sobre a terra seca (ou seja, no seco) e lá não havia nenhuma lama. E os torturadores viraram simplesmente pó (ou seja, eles se tornaram apenas pó). Só então o inteligente reconheceu a verdade e se viu forçado a concordar com tudo, que sim existe um rei e que sim existe um sábio milagroso etc…

[Notas Seguintes à Estória][editar]

Sobre esse conto foi dito, um ensinamento do Rebbe que fala sobre a ingenuidade no judaísmo não é nenhuma astúcia, apenas a ingenuidade e a simplicidade etc... Após terminar o conto ele nos disse: "Se as preces não são ditas corretamente, é então como um sapato de três pontas". Entenda bem o que se relata. Como se pode viver o mundo com pão e com água e com um casaco e se pode viver melhor e com mais felicidade do que a pessoa mais inteligente e mais rica, assim como vimos que eles estão sempre cheios de sofrimento e no fim é certamente melhor para o ingênuo, que estava satisfeito com o que tinha e estava sempre feliz. E esse que quer ser inteligente e pensar demais está sempre aborrecido do começo ao fim e está sempre cheio de sofrimento e nunca tem nenhuma vida e no final fica perdido até que o ingênuo tem que ter piedade dele e o ajuda. Além disso, o conto contém também grandes segredos, pois todos esses contos são grandes segredos da "Torá".

[Rav Nosson acrescenta o seguinte:] Em relação a esta história [Rebbe Nachman] deu sobre o ensino (Likutei Moharan Tinyana #12) que discute 'khakhmoth (sabedorias / sofisticação / inteligência) e temimuth',' (inocência)-- que a essência da totalidade pessoal é apenas temimuth v'pshituth' (inocência e simplicidade). [Ele discute ainda] a questão de Amalek, que foi [o epítome de] um "khakham" [lançando dúvidas através de constante inteligente over-analysis], que negou hereteticamente o ponto principal [ou seja, Hashem e o verdadeiro propósito da vida] etc. (Veja lá no verso em Mishlei (Provérbios) 24, "'ShevA' yipoL tzaddiK wekaM'/ Sete [vezes] o tzaddik cai, mas sobe" - as letras finais de cada palavra soletrar AMaLeK'. Pela principal razão para quedas espirituais é khokhmoth [esperteza - sempre tentando ser inteligente na análise e descobrir tudo]. Da mesma forma, o rei Agag, que era descendente de Amalek, mesmo que ele pudesse ver sua iminente queda quando Samuel chegou... para executá-lo, ele ainda não acreditava, como diz (1 Sam. 15:32), "Agag foi ma'adanoth'", que Targum Yonatan traduz como "foi de uma forma auto-indulgente." Pois ele ainda não acreditava em sua morte imanente. Não até o fim, ele viu seu vencido com os olhos, como então [ele diz], "A amargura da morte realmente se virou para mim?" Pois até então, ele ainda não acreditava.

(Se você vai olhar para este conto, você vai perceber maravilha de maravilhas:) E se a oração não é como precisa ser, este é [um exemplo de] o "sapato de três cantos" [Yid. a shikhele mit drei ecken']. Entenda isso bem.

E veja também no final do livro a explicação do Rav, e você verá comentários análogos maravilhosos.<sction end=1/ >

  1. Isso pode se referir a Leghorn / Livorno, o principal porto da Toscana, no centro da Itália, ou talvez o nome se refira a Lugano, na Suíça. Não está claro, já que o texto diz que ele viaja de Lagorna para a Itália. '