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Tratado descritivo do Brasil em 1587/2/88

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CAPITULO LXXXVIII.[1]
Em que se trata de alguns passarinhos que cantam.

Suiriri são uns passarinhos como chamarizes, que criam em ninhos nas arvores, os quaes se mantem com bichinhos e formigas, das que tem azas, a que em Portugal chamam agudes; estes se criam em gaiolas, onde cantam muito bem, mas não dobram muito quando cantam.

Ha outros passaros pretos, com os encontros amarellos, a que os indios chamam urandi, que criam em ninhos de palha, onde põem dous ovos, os quaes cantam muito bem.

Ha outros passarinhos, a que os indios chamam uraenhangatá, que são quasi todos amarellos, que criam em ninhos de palha que fazem nas arvores, os quaes cantam nas gaiolas muito bem.

Criam-se em arvores baixas em ninhos outros passaros a que o gentio chama sabiá coca, que são todos aleonados muito formosos, os quaes cantam muito bem.

Pexarorem são uns passarinhos todos pretos tamanhos como calhandros, que andam sempre por cima das arvores, mas comem no chão bichinhos e cantam muito bem.

Querejuá são uns passarinhos todos azues de cor finissima, que andam sempre por cima das arvores, onde criam e se mantem com o fruto d’ellas, e cantam muito bem.

Muiepereru são uns passarinhos pardos tamanhos como carriças; criam nos buraros das arvores e das pedras, põem muitos ovos, comem aranhas e minhocas, cantam como roxinóes, mas não dobram tanto como elles.

Notas

  1. 162. Os passaros que melhor conhecemos, além do que primeiro tratou no cap. anterior, e torna a occupar-se, são: o sabiácoca ou sabiá da praia, que Spix denomina Turdus rufiventer, e do qual diz (pag. 69 do texto) ser «cantu melodico uti philomela europæ a insignis»: e o Querejua ou Crejoà que é a Ampelis Cotinga de Linnêo.