Em Tradução:Versos sencillos/XI

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Versos sencillos
Poema XI [1]

por José Martí
Tradução: André Koehne


Eu tenho um pajem mui fiel
Que me cuida e que me grunhe
E ao sair, limpa e brune
Minha coroa de laurel.[2]

Eu tenho um pajem exemplar
Que não come, que não dorme,
E se enrola como verme
Trabalhar, e soluçar

Saio e o vil se falha
E no meu bolso aparece,
Volto, e o teimoso me oferece
Uma taça de borralha.[3]

Se durmo, ao raiar do dia
Se senta junto a minha cama;
Se escrevo, sangue derrama
Meu pajem na escrivania.[4]

Meu pajem, homem de respeito.
É tagarela andarilho
É frio meu pajem, tem brilho;
Meu pajem é um esqueleto.

Notas[editar]

  1. Para essa tradução não se obedeceu à métrica original, optando-se pelo sentido e lirismo da obra.
  2. Em português o termo soa redundante, já que laurel já uma coroa de louros; manteve-se como no original, a fim de preservar o ritmo
  3. Borralha = cinza
  4. Neste sentido: Peça de metal, de vidro ou de madeira composta pelo tinteiro, pena, buvar e outros itens para escrever.