Horas vivas (1902)
| Horas vivas por |
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Poema publicado em Chrysalidas (1864). Agrupado posteriormente em Poesias Completas (1902). Texto com ortografia atualizada disponível em Horas vivas (ortografia atualizada). |
Noite: abrem-se as flôres...
Que esplendores!
Cyntia sonha amores
Pelo céu.
Tenues as neblinas
Ás campinas
Descem das collinas,
Como um véu.
Mãos em mãos travadas,
Animadas,
Vão aquelas fadas
Pelo ar;
Soltos os cabellos,
Em novellos,
Puros, louros, bellos,
A voar.
— «Homem, nos teus dias
Que agonias,
Sonhos, utopias,
Ambições;
Vivas e fagueiras,
As primeiras,
Como as derradeiras
Illusões!
— «Quantas, quantas vidas
Vão perdidas,
Pombas mal feridas
Pelo mal!
Annos após annos,
Tão insanos,
Vêm os desenganos
Afinal.
— «Dorme: se os pesares
Repousares,
Vês? – por estes ares
Vamos rir;
Mortas, não; festivas,
E lascivas,
Somos – horas vivas
De dormir! — »

