À catedral

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À catedral
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Rola cadentemente ao céu o monolito,
Amontoa-se, vai, sobe, e espalma-se ao lume,
E apanha pelos céus aterrados o nume,
Que prende no seu antro enorme de granito.
 
Amarraram-no ali: ali mora o infinito
Encadeado ao cinzel do artista, que o resume:
Tudo é mármore jônio, oriental perfume:
No meio de clarões coalhou aquele grito.
 
A alma humana assim dobra as grandes asas largas,
Bebe em cálix doirado as bebidas amargas,
Que envolvem a razão em crespos aranhóis.
 
Deus não enche a amplidão das catedrais escuras;
Deus andará por alto, em regiões mais puras:
Anda noutro universo, anda por outros sóis.