Às portas do infinito

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Às portas do infinito
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Irrompeu de repente: a água assim sai de um monte:
Foi-lhe o primeiro vôo o primeiro conflito,
Nas garras colossais rasgou o antigo mito,
E constelou de novo a amplidão do horizonte.
 
De escárnios, como a um deus, laurearam-lhe a fronte:
Rugiu, como um leão indômito, proscrito.
E fez, de estrofes, que são mundos de oiro, a ponte
Por onde foi subindo aos umbrais do infinito.

De lá baixou sereno o olhar o enorme Poeta:
Tinha o oceano o extertor da fera irrequieta,
A terra inda insultava os deuses e os heróis!

Mas viu que, para ter chegado a tanta altura,
Transformara-se tudo, ódio, inveja, amargura,
Nessa áurea escadaria intérmina de sóis.