Único remédio

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Único remédio
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Últimos Sonetos


Como a chama que sobe e que se apaga
Sobem as vidas a espiral de Inferno.
O desespero é como o fogo eterno
Que o campo quieo em convulções alaga...

Tudo é veneno, tudo cardo e praga!
E al almas que têm sede de falerno
Bebem apenas o licor moderno
Do tédio pessimista que as esmaga.

Mas a Caveira vem se aproximando,
Vem exótica e nua, vem dançando,
No estrambotismo lúgubre vem vindo.

E tudo acaba então no horror insano -
— Desespero do Inferno e tédio humano -
Quando, d'esguelha, a Morte surge, rindo...