A Benedita e a Georgina

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A Benedita e a Georgina
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.

Bendita sejas tu, mulher escrava,
Bendita sejas tu, bendita sejas,
Mais santa do que a santa das igrejas,
Em que o olhar indiferente a turba crava.
 
Alma feita de lírios, fogo e lava,
Há Édens onde quer que vás e estejas;
Em cada beijo um rouxinol cantava,
E inda hoje canta ao crer que inda hoje a beijas.
 
Só teu heroísmo pôde-me salvá-la:
Que berço a voz que busca adormecê-la!
Que ninho a mão de ônix que ao berço a embala.
 
E há uma estrela que sorri, estrela,
Que, enquanto ela de ti me encanta e fala,
Parece-me ser tu a ouvi-la e a vê-la.