A Boa Amiga

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A Boa Amiga
por Humberto de Campos
Conto publicado em Grãos de Mostarda

(Catulle Mendes)

— Toc! Toc!

— Quem é?

— Abra; faz favor?

— A estas horas? Está doido, cavalheiro! Já estou preparada para deitar-me. Acabei de tirar o meu colete e uma das minhas meias cor de creme, que já atirei, ali, para o divã.

— Deixe-me tirar a outra!

— Não seja impertinente! Continue o seu caminho.

— Amo-a!

— É-me indiferente. Todos me amam.

— Morrerei a teus pés.

— Viva, ou morra, pouco me importa!

— Sou moço.

— Deve ser ingênuo. Vá embora.

— Sou belo.

— Continue o seu caminho; já lhe disse.

— Sou rico.

— E é tolo. Vá embora, ou eu chamo alguém.

— Eu sou amante da sua amiga Clementina.

— Ah! — fez a linda rapariga.

E abrindo a porta:

— Por que não disse logo?