A Carolina

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A Carolina


Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descanças dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquelle affecto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existencia appetecida
E n’um recanto poz um mundo inteiro.

Trago-te flores, — restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos mal feridos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

 
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