A Idéia (Augusto dos Anjos)

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A Idéia
por Augusto dos Anjos
Poema publicado em Eu


De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
 
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
 
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,[1]
Tísica, tênue, mínima, raquítica...
 
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Notas[editar]

  1. A edição ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 42. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv.00054a.pdf traz da laringe.