A Marcelina/III

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A Marcelina por Artur de Azevedo
Capítulo III


Minutos depois, Clorinda estava completamente nua.

— A senhora é muito bem feita de corpo, disse-lhe, num tom adulatório, a costureira, enfiando-lhe pela cabeça uma camisa de seda.

— Acha? perguntou desdenhosamente a atriz.

— Ah! eu também já fui bem feita de corpo, mas.. — não tive juízo: fiei-me demais nos homens. Se quer aceitar um conselho, filha, preste mais atenção à sua arte do que a todos esses... gajos, que fazem das mulheres um objeto de luxo e nada mais. Só assim a senhora evitará o hospital e a miséria.

— Ora esta! exclamou Clorinda. Quem é você, mulher, para me falar assim?

— Eu sou... a Marcelina.