A Noite (Augusto dos Anjos)

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A Noite (Augusto dos Anjos)
por Augusto dos Anjos


A nebulosidade ameaçadora

Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios

E urde amplas teias de carvões sombrios

No ar que álacre e radiante, há instantes, fora.


A água transubstancia-se. A onda estoura

Na negridão do oceano e entre os navios

Troa bárbara zoada de ais bravios,

Extraordinariamente atordoadora.


À custódia do anímico registro

A planetária escuridão se anexa...

Somente, iguais a espiões que acordam cedo,


Ficam brilhando com fulgor sinistro

Dentro da treva onímoda e complexa

Os olhos fundos dos que estão com medo!

(Outras Poesias, 43)