A alma (grafia original)

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A alma
por Desconhecido
Conto agrupado posteriormente e publicado em Contos para a infancia por Guerra Junqueiro.
Obra com ortografia atualizada disponível em A alma.

«Mamã, nem todas as creanças que morrem vão para o Paraizo. O outro dia vi levar para o cemiterio um menino que tinha morrido; o seu papá e as suas duas irmãsinhas acompanhavam o caixão, e choravam tanto que me fazia pena. Iam a chorar porque aquelle menino tinha sido mau, não é verdade?»

«Não; naturalmente foi sempre bom, e a sua alma, emquanto choravam seus paes e suas irmãs, já estava vivendo feliz no Paraizo.»

«A alma? mamã; não sei o que é; não comprehendo bem.»

«Maria, acabas de me dizer que tiveste pena de ver chorar as duas pequerruchas.»

«Tive sim, mamã, tive muita pena.»

«Ora bem, o que é que no teu corpo estava desconsolado e triste? eram os braços?»

«Não, mamã.»

«Eram as orelhas?»

«Oh! não mamã, era cá dentro

«Esse lá dentro, Maria, é a tua alma que se alegra ou se entristece, que te reprehende quando fazes o mal, e que está satisfeita quando praticas o bem.