A dona que eu am'e tenho por senhor

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A dona que eu am’e tenho por senhor
por Bernardo de Bonaval


A dona que eu am’e tenho por senhor
amostráde-mi-a Deus, se vos en prazer for,
se non, dáde-mi a morte.

A que tenh’eu por lume destes olhos meus
e por que choran sempr’, amostráde-mi-a, Deus,
se non, dáde-mi a morte.

Essa que vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, ai Deus!, fazéde-mi-a veer,
se non, dáde-mi a morte.

Ai Deus, que mi-a fezestes mais ca min amar,
mostráde-mi-a u[1] possa con ela falar,
se non, dáde-mi a morte.

Notas[editar]

  1. U: advérbio de lugar ('onde'). Permanece ainda nas expressões galegas e asturianas como "u-los libros?" ('onde [estão] os livros?').