A filha morta

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A filha morta
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Lembro-me dela, quando então vivia:
Era suave e meigamente bela;
Santa em um nimbo, ao vê-la na janela,
De pé, dentro de um nicho, à luz do dia.

Pouco depois, meu Deus, quem o diria?
Inda estava formosa, inda era ela,
Mas fria já, já pálida a donzela,
Lírio morto, que em lágrimas floria...

Virgem de Sanzio, imaculada filha
De um sonho de oiro e da visão mais pura,
Quem, ante a imagem dela, não se humilha?

Foi uma estátua de esplendente alvura,
Feita só para um túmulo, em que brilha,
Imóvel, doce, em plácida postura...