A forja

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A forja
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


  A Fontoura Xavier
 
Um só ponto esburaca o manto à escuridão;
Uma fagulha ainda em cinza e no repouso,
Como uma estrela branca em fundo vaporoso,
Perdida em noite calma, além pela amplidão.

O fole ronca e sopra em torno um furacão:
Revoluteia a cinza, e o ponto duvidoso
Roja da boca enorme um mundo luminoso,
Que gira, como sangue, em rubra inundação.

Surgem daqui, dali, nas panóplias, — figuras,
Que parecem rolar astros das cataduras,
Batendo e rebatendo o ferro sem parar.

E forjam gravemente os trilhos das estradas,
As algemas dos reis, as folhas das espadas,
E o punhal que há de um dia um Bruto manejar.