A grande lei

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A grande lei
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


                                                   Aequam...

                                                   Servare mentem...

                                                   Horácio — Odes

Não será a humildade uma doutrina
Vã, que ensinaste há dois mil anos, Cristo?
Desde então o que viste, o que hemos visto,
Depois que a disse a tua voz divina?
 
Hei de deixar a lâmina assassina
Cravar-me o peito? Posso, e não resisto?
Deixaste a cruz erguer-se, e a cruz domina:
Perdoar e esquecer: — a vida é isto?
 
Não sei eu. — Mas sem ódio, e sem cobiça,
O ideal do bem levanta-me e sorri-me:
E de alto haurindo de ânfora inteiriça
 
Sorvos de luz do teu Amor Sublime,
Na calma fria e heróica da justiça,
Eu condeno o perverso ao próprio crime.