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Suspiros poéticos e saudades (1865)/A Infancia

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VII.
 
A INFANCIA.
 
Oh minha infancia! Oh estação de flores!De innocente illusão alva saudosa!   Inda hoje te apresentasAnte mim, como a imagem deleitosaDe um sonho que encantou-me a phantasia,Ou como a aurora de um formoso dia.
Oh da infancia attractivos lisonjeiros!   Mentirosos affectos!Com que prazer amigos passageiros,Innumeros, na infancia contrahimos! E quão faceis após os repellimos,De ligeiras palavras agastados.
    Oh, como é lindo    O tenro arbusto    Na primavera!    Como parece    Que se está rindo,    Quando o balança    Zephiro brando;    Quando descança    Sobre seus ramos    O passarinho,    E modulando    Doces reclamos,    Vai o ar vizinho    Harmonisando!
Como é bello esmaltado de flores,Exhalando balsamico aroma;D’elle em torno voltejam amores,E se escondem debaixo da coma.
    Mas eis que o adusto    Vento do norte,    Soprando forte,    Já o abala;    O tenro arbusto    Nesse tormento    Todo se dobra;    A verde gala    Amarellece;    E o duro vento,    Que em furia cresce,    Vai arrancando    Folha por folha,    E sobre a terra    Seccas lançando,    Té que despido    O deixa emfim.    O tempo assim    Nos vai roubando    Gratos prazeres    Da tenra idade,    Quantos amigos    A infancia tem;     Até que vem    A puberdade    Com seus perigos;    E desta sorte    Chega a velhice,    Tronco gelado,    Desamparado;    Até que a morte,    Como um tufão,    Lança-o no chão!
Oh, quão perto a velhice está da infancia!E quão perto da infancia a morte adeja!

Genebra, oitubro 1834.