A morte do cavalo

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A morte do cavalo
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Rico cenário: um campo imenso e a emoldurá-lo
Os morros no calor glauco dos flamejantes
Raios de um sol rojando entre armados gigantes:
Em cima o rei; e embaixo, à mesma hora, o cavalo,

Que vasquejava ali, como um Sardanapalo
Entre mulheres, entre os sândalos fragrantes,
Um fumo de oiro em circo à fronte, como um halo,
Nativo e calmo orgulho em todos os semblantes.

Brisa, que deixa um fino e estranho aroma, passa,
E esse aroma à minha alma, em cimo azul, se enlaça;
E enquanto expira e acaba o monarca da luz,

A fremir do corcel o pêlo, a cauda, a clina,
Dos olhos cai-lhe o céu, dos pés cai-lhe a colina,
Ao mesmo sopro que deuses e heróis conduz...