A pedra assombrada

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A pedra assombrada
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


A Virgílio Várzea

Mar implacavelmente azul e amarrotado
Soluçava e sorria a um tempo ermo e baixinho;
E a praia, como um leito enorme de noivado,
Ia por ali fora, entre rendas de linho.
 
Aroeiras em flor, ou vergando ao encarnado
Corimbo dos seus grãos, acima, em desalinho,
Cerravam-se em mata de pássaros coalhado;
Caracolava ao lado a fita do caminho.
 
As gaivotas, em bando, e duas ou três lanchas
Arremedavam longe a luz com grandes manchas:
Sobre o mar, sobre a praia, e sobre a mata, e a estrada,
 
Atravancando-a com seu bojo de granito,
Com seu olhar sinistro, em torno, e em tudo fito,
Rosnava o horror de um monstro: — Era a Pedra Assombrada!... —