A túnica de Nessus

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A túnica de Nessus
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Quero fugir-te: fujo; — e vais comigo:
Vais, como a sombra do meu corpo, adiante,
Atrás, ao lado, como pede o instante:
Tu me segues, mau grado, ou eu te sigo.

Arrancar o punhal não é bastante;
Isto só não me livra do perigo:
Nem o perfume à flor tirar consigo,
Nem cerrar da ferida a boca hiante.

Teu gesto embalde à cólera me atira:
Embalde rasgo em fúria os teus vestidos...
Se em teu olhar a lágrima suspira,

Ruem em meu sangue os fluidos teus diluídos...
É túnica de Nessus, Dejanira,
Este amor agarrado aos meus sentidos...