A um trânsfuga

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A um trânsfuga
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Entra o lobo voraz em nossos baluartes,
E vai levando à boca as águias altaneiras:
Audazes campeões desertam das fileiras,
E levam força e luz aos velhos estandartes.

Tu também nos deixaste, e para sempre partes:
Mas olhar para trás, ó lutador não queiras;
Cegaram-te ambições de glórias passageiras...
Não voltarás jamais, em que delas te fartes...
 
Sim, para te lavar da negra infâmia, eu penso,
Que a goma Oriental, a mirra e todo o incenso,
Que vem colmando e enchendo as mais variadas jarras,
 
Não bastará por certo, ó ave aprisionada,
Que não te lembres mais do sol, e que domada
Lambes a jaula de oiro, e o pó das mortas garras.