Abismos que se interrogam

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Abismos que se interrogam
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Vaga após outra vaga; e o seu olhar as via,
Como uma seda azul, que o vento amarrotasse,
Ir indo longe, e ao largo, em torno à serrania;
E aquela névoa toda andava-lhe na face.

Como um abismo, que outro abismo interrogasse,
Sempre que a um tufão novo o pélago rugia,
Via-lhe ao tumultuar, que morre, e que renasce,
Buscar a causa dessa inquietação sombria.

Noite arrastando um luar, como um amplo sudário
Errante além no oceano, acabava o cenário,
De que ela ia saindo, ou parecia entrar.

Eu atrás, quasi ao pé, mais tristonho que sério,
Cria de ambos — talvez — compreender o mistério:
E o mistério maior, não... não era o do mar.