Abrigo celeste (grafia original)

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Abrigo celeste
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Abrigo celeste.



Estrella triste a reflectir na lama,
Raio de luz a scintillar na poeira,
Tem a graça subtil e feiticeira,
A doçura das curvas e da chamma.

       5Do teu olhar um fluido se derrama
De tão suave, candida maneira
Que és a sagrada pomba alviçareira
Que para o Amor toda a minh' alma chama.


Meu ser anceia por teu doce apoio,
       10Nos outros seres só encontra joio,
Mas só no teu todo o divino trigo.

Sou como um cégo sem bordão de arrimo
Que do teu ser, tacteando, me approximo,
Como de um céo de carinhoso abrigo.