Alegre depois de morta

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Alegre depois de morta
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Um dia ouvi-lhe a voz chorar... Não tome
O caso alguém por uma vã quimera:
Em cada som a lágrima sincera,
E em cada frase um pranto... Isso espantou-me.

Ela até ali não fora assim... não era...
E há dor que esta mulher altiva dome?
Mostrá-la a dedo aos séculos quisera,
Mas por piedade guardarei seu nome.

Que houve então?... Menos triste agora a vejo,
Vestes de virgem, quasi a rir-se ainda:
Tem parco, mas tristíssimo cortejo.

Na face, que assim mesmo em morta é linda,
Leva fundo os sinais de um beijo... o beijo
Largo da boca azul da noite infinda...