Alma ferida (grafia original)

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Alma ferida
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Alma ferida (grafia atualizada).



Alma ferida pelas negras lanças
Da Desgraça, ferida do Destino,
Alma, de que a amargura téce o hymno
Sombrio das crueis desesperanças;

       5Não desças, Alma feita das heranças
Da Dôr, não desças do teu céo divino.
Scintilla como o espelho crystalino
Das sagradas, serenas esperanças.


Mesmo na Dôr espera com clemencia
       10E sóbe á sideral resplandescencia,
Longe de um mundo que só tem peçonha.

Das ruinas de tudo érgue-te pura
E eternamente na suprema Altura,
Suspira, sóffre, scisma, sente, sonha!