Anciedade

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Anciedade
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Ansiedade.



Esta anciedade que nos enche o peito,
Enche o céo, enche o mar, fecunda a terra,
Ella os gérmens purissimos encérra
Do Sentimento limpido, perfeito.

       5Em jôrros crystalinos o direito,
A par vencendo as convulsões da guerra,
A liberdade que abre as azas e érra
Pelos caminhos do Infinito eleito.


Tudo na mesma anciedade gyra,
       10Róla no Espaço, d'entre a luz suspira
E chóra, chóra, amargamente chóra...

Tudo nos turbilhões da Immensidade
Se confunde na tragica anciedade
Que almas, estrellas, amplidões devóra.