Ao deixar de cantar

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Ao deixar de cantar
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Para que o ouvisse toda eternidade,
Começara a lidar segunda-feira
Até domingo, em frente a ti, na leira,
Cantando tua loira mocidade,

Sem te pedir um beijo só: não há de,
Dona de tudo quanto é bom e cheira,
Alguém pedir-te cousa que não queira
Qualquer deus para si, mesmo a piedade?

Mas logo que emudeça, então, querida,
Abrirá, como um sol, uma ferida
Em ti, tardo sinal do teu afeto:

E hei de ouvir teu lamento, como o grito
Que solta o oceano a dar contra o granito,
Com que o monte lhe rasga o flanco inquieto...