Ao incendio que em Belem

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ao incendio que em Belem
Vilancico publicado em Villancicos que se cantaram na Capella Real, do muy alto e muy poderoso Rey D. Pedro II. Nosso Senhor Nas Matinas, & Feſta do Natal, em 1691 (como Villancico VII); e em Villancicos que se cantaram na See do illvstrissimo senhor Dom Ioam de Mello Bispo Conde. Nas Matinas, & Feſta dos Reys de 1697 (como Villancico I).


Eſtribilho.

Ao incendio que em Belem
Hoje ſe ateou nas palhas,
Andai, acudi, paſtores,[1]
Dos olhos, andai com agoa.[2]
Á fonte de amor de preſſa
Andai, que naõ andais nada.

Coplas.

Daquelle fogo inviſivel.
Que do peyto amor lançou,
Hũa faiſca pegou,
Que fez hũa chãma incrivel.
Lavareda he tão terrivel,
Que na palha eſtà ateada,
Que ſerà nunca apagada
Por mais que hum diluvio creſça;
       Á fonte de amor de preſſa,
       Andai, que naõ andais nada.

Nem das fontes, nem dos rios,
Nem do mar, & Ceo toda agoa
Apagar pòde hũa fragoa,
Que creſce às chuvas, & òs frios;
Mais alentos, & mais brios
Tem eſta chãma encontrada;
E a materia mais nevada
Faz que mais viva pareça:
       Á fonte de amor de preſſa,
       Andai, que naõ andais nada.

Sò ſe mitiga eſte fogo
Com agoa dos olhos, que adonde
O meſmo fogo ſe eſconde
Tem elle o ſeu deſafogo:
Acodi com as fontes logo
Da alma em criſtal deſatada,
Serà chãma ſoſſegada,
Que arder de amores começa:
       Á fonte de amor de preſſa,
       Andai, que naõ andais nada.

Eſtribilho.

Ao incendio, &c.

Notas[editar]

  1. Na versão de 1697: "Anday, acudi Meninas,"
  2. Na versão de 1697: "Meus olhos anday com agoa,"