Ao sono

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Ao sono
por Manuel Botelho de Oliveira


Quando em mágoas me vejo atribulado,
Vem, sono, a meu desvelo padecido,
Refrigera os incêndios do sentido,
Os rigores suspende do cuidado.

Se no monte Cimério retirado
Triste lugar ocupas, te convido
Que venhas a meu peito entristecido,
Porque triste lugar se tem formado.

Se querem noite escura teus intentos,
E se querem silêncio; nas tristezas
Noite, e silêncio têm meus sentimentos:

Porque triste, e secreto nas ternezas,
É meu peito ũa noite de tormentos,
É meu peito um silêncio de finezas.