Aos Venâncios

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Aos Venâncios
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Perguntaram: — Quem é? — quando ia percorrendo
A descuido e sem fim qualquer sítio agradável;
E respondeu um pobre eunuco detestável:
— Um monstro. — E ouvi-o, sem parar, não me detendo.
 
Mirou-se na minh´alma o réptil, se revendo
No mais puro cristal; pareceu-lhe provável
Ser o próprio cristal o verme, o miserável,
O caluniador infame, a serpe se estorcendo.
 
E eu passava levando em mim o firmamento,
O ideal do bem, o azul do dever, a harmonia
Dos Édens a florir, que acaricia um vento
 
Vindo da exalação dos deuses: que eu podia,
Dentro em nimbo estrelar, na paz do meu contento,
Senão deixá-lo roer sua imunda alegria?...