Aos vermes

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Aos vermes
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Tendes também espaço no horizonte,
Vermes, que o eterno sol redoira e anima;
Dou-vos asas, subi: à minha fronte
Que sombra escassa e vã lançais por cima!...
 
Eu ato, quando quero, o vale ao monte,
O Olimpo ao Céu, e o deus que a musa intima:
E estrela a estrela amarro, e lanço a ponte,
Em que anda o grupo harmônico da rima.
 
É um coche de pérola o soneto:
E quando dentro dele os mundos meto,
A estrofe ala-se, e canta, e canta, e o tira.
 
No caminho saúdam-no as Quimeras:
E ao vê-lo, a um tempo, calam-se as Esferas,
Aos seios de oiro atravessando a lira.