Arde o templo com fogo furibundo

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Arde o templo com fogo furibundo
por Manuel Botelho de Oliveira


A Dom João de Lancastro, na ocasião
do incêndio do mosteiro, e igreja de
São Bento em Lisboa, fazendo-se
menção de se livrar do naufrágio
da barra da Bahia

Arde o templo com fogo furibundo,
É tudo confusão, e teme a gente;
E todo o inferno se conjura ardente,
Para abrasar o templo no profundo.

Contra Lusbel, e seu poder imundo
Vos arrojais Católico e valente.
E abraçado co'a Virgem felizmente,
Livrastes de um eclipse ao Sol do Mundo.

Pagando a Virgem vossa fé ditosa,
Vendo-vos perigar no mar irado,
Vos livra agradecida, e generosa.

Em ambos fica o empenho executado;
Ela vos livra da água procelosa,
Vós a livrais do fogo conjurado.