As duas irmãs (I)

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As duas irmãs
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


(Depois de uma leitura)

Poisou na vida, como poisaria
Pássaro a um galho preso a tronco inciso,
Ou como pomba mal segura a um friso,
Que o vento as penas brancas arrepia.

Sempre estava a tossir, e em febre ardia:
Separá-la da irmã fez-se preciso;
Porém esta, iludindo os pais, um dia
Foi pôr-lhe um beijo no lugar do riso.

Acomodando com carícia e jeito
Na cama a doente, que adormecera, exorta,
Nos tenros braços seus chegando-a ao peito.

E quando abriram de manhã a porta,
E a alcova entrando, foram vê-la ao leito,
Uma dormia e outra... estava morta...