Assim!

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Assim!
por Casimiro de Abreu
Poema publicado em As Primaveras


A M.***

Viste o lírio da campina?
Lá s'inclina
E murcho no hastil pendeu!
- Viste o lírio da campina?
Pois, divina,
Como o lírio assim sou eu!

Nunca ouviste a voz da flauta,
A dor do nauta
Suspirando no alto mar?
- Nunca ouviste a voz da flauta?
Como o nauta
É tão triste o meu cantar!

Não viste a rola sem ninho
No caminho
Gemendo, se a noite vem?
- Não viste a rola sem ninho?
Pois, anjinho,
Assim eu gemo, também!

Não viste a barca perdida,
Sacudida
Nas asas dalgum tufão?
- Não viste a barca fendida?
Pois querida
Assim vai meu coração!

Rio - 1858.