Assim... (Lima Barreto)

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Assim...
por Lima Barreto
«Primeira publicação conhecida de Lima Barreto: o soneto “Assim...”, no jornal O Suburbano, editado na Ilha do Governador». [1] Mais especificamente, em O Suburbano, Rio de Janeiro, anno 1, n. 17, p. 2, coluna 4, 01. nov. 1900.


Elle dira, lisant ces vers tout remplis d′elle:
«Quelle done cette femme?» et ne comprandra pas.

Felix Arvers.

Sonnet celébre.



Esta flor, que me encanta e me seduz,
Tem um que de etherea e de divina,
Naquelle todo de ethica mui franzina
Que ás vezes ao delirio me conduz.

Amo-a como os crentes amão Jesus
Tenho por ella a fé que me illumina
Ella é meu norte, a estrella matutina,
Que ao turvo céo da minha vida impuz.

Vel-a, apraz-me, assim desta maneira
Da rosea cor vestida toda inteira
Modulando da sua voz, o harpejo.

Adoro aquelle seu fallar de arminho;
E nos seus cabellos meu olhar faz ninho
Quando penteada de bandós a vejo.

Notas[editar]

  1. SCHWARCZ, Lilia Moritz. Lima Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.