Ausência prolongada

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Ausência prolongada
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Na morte de Arthur de Barros

Como não vem? Por quê? — Já tarda tanto!...
Olhem que é ele, vem subindo agora:
Não é? não foi? — Mas que fatal demora!
Enfim isto me faz encher de espanto!...

Stá aí na rua, ou volta aquele canto...
Disse: até logo, quando foi-se embora:
E ele chegava, como chega a aurora,
Trazendo luz nas dobras do seu manto.

Não vem? Mas deve vir. — Era à noitinha,
Que, pela escada acima, a rir, me vinha
Falar de Comte, ou conversar de Homero...

Cortar-lhe a vida? Quem tal vida corta?
Vão vê-lo já; vai já bater-me á porta?
Ele vem sempre e como sempre o espero...