Belleza morta

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Belleza morta
por Cruz e Sousa
Poema publicado em Broqueis (1893).
Obra com ortografia atualizada disponível em Beleza morta.




De leve, louro e enlanguescido heliantho
Tens a flórea dolencia contristada...
Ha no teu riso amargo um certo encanto
De antiga formosura desthronada.

No corpo, de um lethargico quebranto,
Corpo de essencia fina, delicada,
Sente-se ainda o harmonioso canto
Da carne virginal, clara e rosada.


Sente-se o canto errante, as harmonias
Quasi apagadas, vagas, fugidias
E uns restos de clarão de Estrella accêsa...

Corno que ainda os derradeiros haustos
De opulencias, de pompas e de faustos,
As reliquias saudosas da belleza.