Bemditas cadeias!

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Bemditas cadeias!
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Benditas cadeias!.



Quando vou pela Luz arrebatado,
Escravo dos mais puros sentimentos,
Lévo secrétos estremecimentos
Como quem entra em mágico Noivado.

       5Cérca-me o mundo mais transfigurado
Nesses subtis e candidos momentos ...
Meus olhos, minha bocca vão sedentos,
Fico feliz, meu ser illuminado.


Fico feliz por me sentir escravo
       10De um Encanto maior entre os Encantos,
Livre, na culpa, do mais leve travo.

De ver minh’alma com taes sonhos, tantos,
E que por fim me purifico e lavo
Na agua do mais consolador dos prantos!