Carta de Marx a Engels (16 de abril de 1856)

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Londres, 16 de abril [de 1856] ...Anteontem se realizou um pequeno banquete com motivo do aniversário de "People's Paper"No dia 14 de abril de 1856, em um banquete organizado em Londres em honra do quarto aniversário do jornal cartista "The People's Paper", Marx, fazendo uso do direito que se lhe concedia de falar o primeiro, pronunciou um discurso sobre o papel histórico mundial do proletariado. A participação de Marx no aniversário de "The People's Paper" foi um dos exemplos mais brilhantes da conexão dos fundadores do marxismo com os cartistas ingleses, da aspiração de Marx e Engels de exercer influência ideológica no proletariado inglês e apoiar aos dirigentes cartistas para fazer ressurgir o movimento operário na Inglaterra sobre uma base nova, marxista.

The People's Paper ("O jornal do povo"): semanário cartista que apareceu desde maio de 1852 até junho de 1858 em Londres; Marx e Engels colaboraram nele desde outubro de 1852 até dezembro de 1856, ajudando também a redactarlo. Em junho de 1858, o jornal passou a mãos de uns hábeis negociantes burgueses.. Esta vez aceitei o convite, pois me pareceu oportuno, com maior motivo por haver sido eu o único (assim o comunicou o jornal) convidado entre toda a emigração. Me correspondeu pronunciar o primeiro brindes. Brindei pela souveraineté du proletariat dans tous lhes pays (soberania do proletariado em todos os países). Fiz um pequeno speech em inglês, no entanto, não penso publicá-lo na imprensaVéase o presente tomo, págs. 513-515.. O objetivo que me propunha foi conseguido. O senhor Talandier, que teve que pagar pela sua entrada 2,5 xelins, assim como o resto da banda francesa e demais emigrados, se convenceram que nós somos os únicos aliados «íntimos» dos cartistas e que se nos abstemos de manifestações públicas e deixamos aos franceses paquerar com os cartistas à vista de todo o mundo, podemos em qualquer momento voltar a ocupar o lugar que já nos corresponde historicamente. Isso se fez tanto mais necessário porque no meeting do 25 de fevereiro, presidido por Pyat, o (old boy) iletrado alemão Scherzer fez uso da palavra e, com um espírito de espantosa limitação gremial, denunciou aos «sábios» alemães, aos «trabalhadores do cérebro», que abandonaram aos iletrados e lhes constrangeram a cobrir-se de vergonha ante as demais nações. Tu, claro está, você conhece a Scherzer já de Paris. Voltei a ver umas quantas vezes ao amigo Schapper e o tenho visto no papel de pecador muito arrependido. A vida fechada que leva nos últimos dois anos parece haver exercido uma influência bastante benéfica nas suas faculdades mentais. Você compreenderá que, por via das dúvidas, sempre vale a pena ter-lhe à mão; mais importante ainda é arrancar-lhe da influência de Willich. Schapper está agora muito furioso contra os sobreiros de Windmill StreetSe refere à "Sociedade Londrina de Instrução dos Operários Alemães" que tinha sede, nos anos 50 do século XIX, na rua Great-Windmill. Esta sociedade a fundaram em fevereiro de 1840 R. Schapper, J. Moll e outros filiados à Liga dos Justos. Marx e Engels participaram de forma ativa nos seus trabalhos em 1849 e 1850. No Dia17 de setembro de 1850, eles e vários adeptos seus se saíram desta Sociedade devido a que sua maior parte se pôs do lado da fração sectária e aventureira de Willich e Schapper. Quando em 1864 se fundou a Internacional, esta Sociedade passou a ser a seção alemã da Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A Sociedade de Instrução existiu até 1918, quando foi enclausurada pelo Governo inglês.. Passarei tua carta a Steffen. A carta de L.Lewi. você deveria quedártela. Você pode fazer o mesmo com todas as cartas cuja devolução não te peça. Quanto menos vão dançando por correios, tanto melhor. Estou de completo acordo com teu julgamento aproxima da região do Rin. O fatal para nós é que, avizorando o futuro, vejo assomar ali algo que cheira a «traição à pátria». Do giro que tomem as coisas em Berlim dependerá o que nos vejamos ou não em uma posição similar à dos do Clube de Mainz na velha revoluçãoDepois da tomada de Maguncia pelo exército revolucionário francês, os democratas republicanos alemães fundaram em outubro de 1792 nesta cidade um clube denominado dos amigos da igualdade e a fraternidade. Os membros deste clube de Maguncia faziam propaganda em prol da destruição do velho sistema feudal, da instauração do regime republicano e da incorporação da margem esquerda do Rin a à França revolucionária. Suas opiniões não contaram com a simpatia nem o apoio da população urbana nem dos camponeses. Em julio de 1793, quando os prussianos tomaram Maguncia, cessou a atividade dos membros deste clube.. Ça sera dur. Nós conhecemos bem a nossos bizarros irmãos franceses do outro lado do Rin! Na Alemanha tudo dependerá da possibilidade de respaldar a revolução proletária com alguma segunda edição da guerra camponesa. Então tudo sairá a pedir de boca...