Como exalas, Penhasco, o licor puro

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A vista de hum penhasco que vertendo frigidissimas aguas lhe chamão no Caippe a Fonte do Paraizo, imagina agora o poeta menos toleravel a sua dissimulação;
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaA Cidade e seus PícarosÂngela

Como exalas, Penhasco, o licor puro,
Lacrimante a floresta lisonjeando,
Se choras por ser duro, isso é ser brando,
Se choras por ser brando, isso é ser duro.

Eu, que o rigor lisonjear procuro,
No mal me rio, dura penha, amando;
Tu, penha, sentimentos ostentando,
Que enterneces a selva, te asseguro.

Se a desmentir objetos me desvio,
Prantos, que o peito banham, corroboro
De teu brotado humor, regato frio.

Chora festivo já, ó cristal sonoro,
Que quanto choras, se converte em rio,
E quanto eu rio, se converte em choro.