Conúbio

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Conúbio
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Na maciez da pele escura da pantera,
Que Mirila escorchou no ermo verde da mata,
Como quem nada teme, e Pã nem mesmo espera,
Num mole gesto nu, o corpo ela desata.

Permesso aí perto flui: — anda a enrolar-se a hera
Ao acanto, à rocha: um deus de mármore em cantata
Longa, eterna, águia entorna, e aljofra em torno a esfera;
Franja-lhe o azul do céu toda essa ondeante prata.

Pela aberta, a profunda abóbada flameja:
E, como boca arfando uma outra boca beija,
Das folhas, que abre Eos, a harpa as mãos lhe murmura.
 
Stratocles chega: — a deusa ou dorme, ou finge embora...
Ele é o sol, que surge atrás daquela aurora,
E em si funde dos dois a luz em luz mais pura...