Condenação fatal

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Condenação fatal
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Últimos Sonetos


Ó mundo, que és o exílio dos exílios,
Um monturo de fezes putrefato,
Onde seres vis circula nos concílios.
Onde de almas em pálidos idílios

O lânguido pefume mais ingrato
Magoa tudo e é triste como o tato
De um cego embalde levantando os cílios.

Mundo de peste, de sangrenta fúria
E de flores leprosas da luxúria,
De flores negras, infernais, medonhas.

Oh! como são sinistramente feios
Teus aspectos de fera, os teus meneios
Pantéricos, ó Mundo, que não sonhas!