Desforço

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Desforço
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Ir degrau a degrau para a esperança,
Chegar ao fim da longa escadaria,
E escondida detrás da luz do dia
Ver e ouvir rir de nós alguém... Criança,

Por que tu fazes isto? Tudo cansa:
A pedra quente pelo sol esfria,
Quando o sol todo céu, que ele alumia,
Num véu vermiculado de oiros lança..

Serás sempre a visão radiosa e bela
Que eu tenho ao pé de mim contente agora?
Olha, o orgulho do amor o amor debela.

A manhã da existência é linda: embora...
Passa; verás: — e então irá com ela
Meu mal cantando após mais nova aurora...