Diccionario Bibliographico Brazileiro/Agrario de Souza Menezes

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Diccionario Bibliographico Brazileiro por Sacramento Blake
Agrario de Souza Menezes


Agrario de Souza Menezes — Filho de Manoel Ignacio de Souza Menezes e de dona Anna Vicentina de Araujo Menezes, nasceu na cidade da Bahia a 25 de janeiro de 1834 e falleceu a 23 de agosto de 1863, acommettido de uma apoplexia fulminante. Achava-se elle no theatro de S. João, de que era director, e applaudia muito satisfeito uma cantora, quando cahiu fulminado o expirou nos braços de sua esposa, única pessoa que se achava com elle no camarote.

Era formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife, em 1854, e não em medicina, como por engano escreveu o Dr. J. M. de Macedo no seu Anno biographico; exercia a profissão de advogado no fôro de sua provincia, e amenisava as asperezas desta profissão, cultivando com gosto todos os generos da litteratura, especialmente a dramatica.

Foi diversas vezes deputado á assembléa da provincia, onde era considerado como um dos primeiros oradores; foi um dos fundadores e presidente do conservatorio dramatico da Bahia, socio do instituto historico da mesma cidade e de outras associações litterarias.

Redigiu no Recife, sendo ainda estudante, o periodico Astréa, e collaborou com muitos artigos em prosa e em verso para muitos outros desta cidade e de sua provincia, como: o Liberal, o Echo Pernambucano, o Diario de Pernambuco (antes de formar-se em direito), o Jornal da Bahia, o Diario da Bahia, o Noticiador Catholico, e Caixeiro Nacional, o Prisma, etc.

Escreveu mais:

Mathilde: drama em verso, em cinco actos. Recife, 1854 — Cursava o autor as aulas de direito quando escreveu e deu a lume esta obra. Segundo se disse, é essa composição uma allusão a certos amores que nutrira por uma linda senhora casada.

Calabar: drama em verso, em cinco actos. Bahia, 1858 — Este livro se abre com um prologo, que contém noticias particulares da vida litteraria do autor, e se fecha com um juizo critico lido pelo Dr. A. Alvares da Silva numa sessão do conservatorio dramatico, elogiando a peça, que tem por objecto factos de nossa historia do tempo do dominio hollandez. O Dr. Agrario enviara este drama ao conservatorio dramatico da côrte em concurso a um premio proposto a quem melhor apresentasse um drama de assumpto todo brazileiro, em carta fechada, sem assignatura, etc. Passados mezes, sabendo das cabalas que ferviam pelo conservatorio e não vendo deliberação alguma tomada neste sentido, mandou retirar seu Calabar. Entretanto acabavam de julgal-o o unico digno do premio promettido.

Os Miseraveis: drama em cinco actos. Bahia,..... — Este drama só tem o titulo do romance do litterato francez Victor Hugo; nada tem de commum com este romance.

Dom Forte: poema homoeopathico, producção de um princicipiante, offerecida ao Sr. Gabriel Flosclek Fortes de Bustamante. Bahia — Este poema foi impresso sem declaração do anno, nem da officina typographica. Suppõe-se ter sahido da typographia de Quirino o Irmãos, 1863. Não traz o nome do autor. Obras ineditas do Dr. Agrario de Souza Menezes, precedidas de um elogio historico, escripto pelo Dr. Antonio Alvares da Silva, e mandado publicar pela sociedade academica Recreio Dramatico, tomo 1º, Bahia, 1865 in-8.º — Sahiu neste volume apenas Bartholomeu de Gusmão, drama historico em tres actos, e não me consta que se publicassem mais outras de suas obras, taes como:

Os contribuintes: drama comico — Inedito, mas levado à ecena com muito applauso no theatro S. Joio.

O dia da independencia: drama em cinco actos — Idem. O publico, cheio de enthusiastioo transporte, offoreceu-lhe uma coroa, quando foi representado este drama.

Retrato do rei: comedia — Idem. Nesta comedia o autor galardoa o talento na pessoa de um artista que elle exalta, collocando-o ao lado de fidalgos sem mérito.

O principe: comedia — tambem inedita,

O voto livre: comedia — Idem.

O primeiro amor: comedia — Idem.

A questão do Perú: comedia — Idem. Esta comedia, diz o Dr. Manoel Corrêa Garcia, no elogio funebre que escreveu sobre o autor e vem no periodico do Instituto Historico da Bahia de janeiro de 1864, que não ficou concluida.

O bocado não é para quem o faz: comedia — Idem. Não foi tambem concluida.

Uma festa no Bom fim: comedia — Concluida, porém inedita.

S. Thomé: drama — Inedito. Consta-me que é uma de suas melhores producções. No dizer do Dr. Corrêa Garcia nfto foi acabado.

O Dr. Agrario escreveu uma introducção n'um volume de biographias e discursos escriptos por occasião da morte do arcebispo. Marques de Santa Cruz, e si me não engano, ha tambem neste volume — que não vi — um discurso seu, recitado no Instituto Historico da Bahia.