Domus aurea (grafia original)

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Domus aurea
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Domus aurea (grafia atualizada).



De bom amor e de bom fogo claro
Uma casa feliz se acaricia...
Basta-lhe luz e basta-lhe harmonia
Para ella não ficar no desamparo.

       5O sentimento, quando é nobre e raro,
Veste tudo de candida poesia...
Um bem celestial d'elle irradia
Um doce bem que não é parco e avaro.


Um doce bem que derrama em tudo,
       10Um segredo immortal, risonho e mudo,
Que nos leva debaixo da sua aza.

E os nossos olhos ficam rasos d'agua
Quando, rebentos de uma occulta mágoa,
São nossos filhos todo o céu da casa.