Em fuga à serra

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Em fuga à serra
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Gostas mais de estar lá, bem sei; confessa.
Aqui a gente deita-se e desperta
Grande o céu, preso ao monte, por coberta...
E há em tudo um bom cheiro e em ti começa.

Mas só uns dias? hein?... Foi vir com pressa!
Sem ti como a cidade está deserta!...
É isto a sala, que encontrando aberta,
Fugindo ao frio, um pássaro atravesa.

Cansava fora o vento, que farfalha,
Silvava, como um dia de batalha,
Ou como ronca o mar nas praias dando...

Nem pestaneja a luz, que ela dormia:
E por seu quarto, a medo, a andar, se ouvia
Só a voz calma do seu sono arfando.