Entrada na floresta

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Entrada na floresta
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Há uma nódoa branca na verdura:
Um novo aroma bom a seiva exala:
Troncos, de pé!... Quem vai, quem vai buscá-la?
Honra-vos, bosque, a sua formosura!

Ei-la aí. — Esta mata ou treme ou fala:
Tem cada galho um êxtase; ternura
A sombra; o sol ebria-se a fitá-la,
Num voluptuoso espasmo de ventura.

Traçam-lhe um ninho os pássaros; de esguelha
Olha-a um fauno; enche-a a luz de pedrarias;
O ar a oscula, a aquece, a faz vermelha.

Metem-se em liquens de oiro as penedias;
Para ouvi-la, o grotão lhe estende a orelha;
Cantam, para embalá-la, as ramarias.