Entre horrores cruéis do crespo vento

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Entre horrores cruéis do crespo vento
por Manuel Botelho de Oliveira


A Afonso Furtado Rios e Mendonça
saindo do porto de Lisboa a governar
o Estado do Brasil, em ocasião
tempestuosa, havendo depois
bonança nos mares

Entre horrores cruéis do crespo vento
Cortais, Afonso, o pélago arrogante,
Vós constante no brio, ele inconstante,
Ele em frio cristal, vós no ardimento.

Se nos conflitos do Mavórcio intento
Marte vos respeitou sempre triunfante,
Venceis no mar de um Deus o Reino errante,
E na terra de um Deus o forte alento.

Perde Netuno as iras obediente,
Ou entrega seus cerúleos senhorios,
Afonso invicto, a vosso braço ardente,

E por glória maior de vossos brios
Prostra ao vosso Bastão o seu Tridente,
Obedece seu mar a vossos Rios.